Cinqueterre, Ligúria
15 de outubro de 2010
Aí, lá fomos nós; Sobe a lomba, pega o ônibus, Asti, locadora de carro. Carteira, passaporte, caução. Três carros, 13 pessoas, dois twingos e um pálio. Ao meu grupo coube um twingo. Minha entusiasmada trupe se compunha de mim, Renata, a minha fiel companheira de quarto, que tem a minha idade, e Marcos, piracicabano gente boa um pouco mais velho que nós.
Precisavam ir quatro em dois carros e cinco em outro. Tínhamos uma vaga, portanto. E os meninos, nos outros carros, discutiam quem é que vinha conosco. E me dei conta, pela primeira vez na vida, que o carro em que eu estava era o carro dos coroas! Não era atraente para um deles vir no nosso carro!!! Só não tive um treco porque percebi, na mesma hora, que eu também não fazia questão que nenhum deles viesse no nosso carro!! Mas, era necessário... e coube à Aline, 23 anos, goiana, a nossa vaga.
Eu, que já tinha a intenção de ir pra Cinqueterre desde o meio da semana, vinha estudando o lugar e os mapas, ofereci: nós vamos na frete. Deram-se conta, então, que ninguém sabia bem o caminho e que o melhor era alugar um GPS. Jà que eu era uma coroa, assumi que mapa eu sei usar, mas não tenho paciência pra programar GPS e nem sabia lidar com aquilo. De modo que o carro que portava o GPS foi na frente, quase como um andor.
E parte a carreata.
As estradas são muito bem sinalizadas, me lembraram as estradas do interior de São Paulo. E chega-se sem notar a 110 km/h. O problema é a quantidade absurda de pedágios. Tem a autoestrada e nada nela além das muretas. Se você quer abastecer o carro, ir ao banheiro, sei lá, tem que pegar uma das entradas para as cidadezinhas e aí, pedágio, em todas elas!
Vinte minutos de viagem, primeira entrada errada! Ai meu Deus! Mas o GPS disse que era aqui!!! Eu, que ia humildemente acompanhando no meu mapinha jurássico o caminho, apontei que entramos para o norte, quando devíamos ir para o sul e que talvez fosse o caso de fazer o teste do bafômetro no GPS. Para retornar, entramos numa cidade (logo, pedágio, à toa!) Nos solicitaram que tomássemos a dianteira e que o GPS devia ir conosco, então, just in case.... jogamos o GPS na mala, onde ele ficaria até domingo à noite. E seguimos viagem, Marcos dirigindo, eu de navegadora, Rê e Aline atrás.
Curiosamente, as rádios italianas só tocam música italiana... que são piú estranhas... assim, meu celular acabou virando o som do carro. Íamos nós, felizes, ao som de Tigresa, Cat Stevens, Lô Borges e The Doors, quando, de repente, começa a chover. Sabe aquelas chuvas estradeiras, super inadequadas para um dia de viagem num lugar estranho e para uma praia escarpada? Aquelas que começam do nada, num dia branco, e susurram: eu não vou parar.... eu vou aumentar... pois é. Foi dessas.
Bem, vou resumir bem resumido, os carros se perderam uns dos outros, vou contar a minha viagem e só volto a mencionar os outros viajantes no final.
Cinqueterre é Patrimônio da Humanidade da Unesco e trata-se uma serra que se projeta sobre o mar, com cinco praias, sendo apenas uma de areia, que descem sobre o mar em escarpas. Havia um castelo fortificado em cada uma, e constituiram-se aldeias de pescadores, então hoje o que se vê, além de várias ruínas e igrejas são casinhas rosas e caramelo penduradas nos morros, se projetando sobre o mar que é de um azul tão absurdo quanto o verde da baía da Ilha Grande. Lá também há vinhedos e tem dois vinhos DOC, o Cinqueterre Bianco e um que eu não consigo lembrar como se escreve o nome, mas é algo como Schiaccetrá, que é adoicado, e combina muito bem com as preparaçõe peixe da Ligúria, mas eu não consegui provar. E além dos vinhedos há muitas, muitas oliveiras, e essa é a época da colheita, então, todas as encostas tinham, ou vinhedos em terraços, que são como patamares com muros de contenção de pedra, ou muitas oliveiras entre as quais estendem-se telas azuis ou cor-de-abóbora, dessas de fazer tela anti-mosquito, e assim as azeitonas vão caindo sobre elas sem se machucar, o que adiantaria a fermentação e estragaria o azeite, que, pude comprovar, é magnífico! Procurem no supermercado, azeite da Ligúria.
A região toda hoje é um ponto de interesse turístico muito grande, mas estamos na baixa temporada. E não foi difícl entender por que. Essas teriam sido coisas lindas de se ver não fosse esse um dia de chuva e frio, comuns nessa época!
Nós, com nosso mapinha, partimos em direção a Riomaggiore de onde pretendíamos fazer uma trilha a pé até Manarola. Mas chovia e fazia tanto frio, que não pudemos descer do carro!
Entretanto, no caminho pra lá, a chuva estiou um pouco e pudemos descer do carro e ver as oliveiras de perto, eu nunca tinha visto uma!! Estavam repletas de azeitonas, umas verdes, outras já maduras, com um gosto pavoroso, mas a aparência que a gente conhece!
Vi tantas árvores lindas, inclusive um pinheiro copado que fotografei, uma mistura de araucária com amendoeira!!! Mas com os galhos voltados pra cima feito uma casuarina descabelada!!!
O caminho, por cima, tem um que de Santa Teresa, misturada com paineiras, mas com a vista da Niemayer. Espetáculo, enfim.
Nâo se chega a todos as praias de carro, a próxima praia onde se podia ir assim era Monterrosso Al Mare, pegamos a serra de novo, e fomos. A chuva cedeu um pouco, e ao chegar, o que vimos foi uma pequena enseada de areia cinzenta e um pouco pedregosa, mas linda linda linda! Na ponta esquerda havia um castelo medieval, que sõ conseguimos ver de longe, mas pareceu sensacional e muio emocionante, porque foi a primeira coisa medieval que eu vi. No meio tinha um ancouradouro, embora não houvesse muitos barcos, e na ponta direita, mais duas torres medievais. AS casinhas se estendiam para dentro da cidade, mas a chuva, mesmo fina, não nos animou a prosseguir, de modo que permanecemos bem no lioral, até porque ainda não havíamos almoçado.
Eu havia prometido a Mauro colher um pouco da água do Mar da Ligúria pra pormos numa garrafinha que fizesse companhia à água que trouxemos do pacífico, e assim fiz. Isso foi ótimo também porque provou que a bota da Timberland foi uma das melhores compras dos últimos tempos, ela molhou inteira e meu pé continuou absolutamente seco.
Bem, mas há que se falar do mar da Ligúria. A cor. Ninguém pode imaginar aquele azul que começa claro, é a verdadeira expressão da cor verde-água, tão claro que parece impossível e depois vai ficando azul marinho, mesmo com o céu tão cizento. É de chorar. Como carioca, poucas belezas naturais me chocam, mas jamais vou esquecer daquela cor. A água, na garrafa, é absolutamente transparente.
Que lugar lindo. Foi a única das Cinque Terre que conseguimos conhecer, dizem que Vernazza é a mais linda, mas eu adorei ter pelo menos visto Monterrosso com todas as adversidades.
Lá, comemos um trufette com pesto, que é a massa que se come com o famoso pesto genovês. Estava bom. E tomei um sovete de nocciola, o primeiro sorvete tipo italiano na Itália, e tive a mesma impressão que tenho aí no Brasil: a textura é perfeita, mas o gosto é excessivamente doce. E a nossa casquinha é bem melhor. Tomarei outros e depois conto!
Tirei muitas fotos desse lugar tão lindo, até que começou a chover e resolvemos ir pra Gênova, já que era besteira tentar ficar ali naquelas condições, e ainda tínhamos que pegar a serra de volta.
E olha, a serra não é de brincadeira. As meninas, atrás, passaram mal todo o longo caminho até chegarmos na auto-estrada. Eu, que costumo enjoar até em reta, não tive nenhum problema... mas de fato as curvas eram muitas e muito acentuadas.
Gênova, por fim.
Entramos por Nervi, nos perdemos, finalmente ligamos o tal do GPS que... apontou o caminho errado, e... chovia! Tínhamos fome, e não sabíamos aonde ficaríamos. Foi aí que entrou em campo essa figura chamada Aline, um GPS ambulante que tem um tal de um blackberry, blueberry, sei lá que resolve qualquer problema, e ali ela conseguiu se comuncar com o resto do grupo e consegui achar um Albergue, e conseguiu fazer miséria!
Foi assim que chegamos, não sem antes nos perder, ao Hostel AcquaVerde, na Via Balbi. Que era um lugar sensacional. Simples, aconchegante. Um conciérge que já tinha trabalhado em SP e por isso falava português, boa conexão de internet e 30 euros por pessoa, café da manhã incluído! Ôpa! Nem tudo estava perdido!!!
Dois quartos duplos, Aline e Rê em um, eu e Marquito em outro. Banho relaxante e fomos jantar na cantina ao lado, que de certo modo me lembrou o Lamas, pois não tinha frescuras nem pretensões mas o pessoal era extremamente simpático e a comida, divina! Aline comeu uma bisteca com legumes, eu comi um tagliateli com uns cogumelos que não conhecia, Marcos pediu um espaguethi à carbonara (eu prefiro o meu...) e Rê, bom, não me lembro o que Rê comeu! Vinho da casa!
De volta ao albergue, enquanto eu deixava o quarto livre para Marcos passar as horas habituais ao telefone com a namorada, tentava, do wi-fi da recepção falar com o pessoal em casa, e eles me ligaram para lá e foi muiiiiito bom falar com papai!
E, lá pelas duas da matina, o resto do grupo chegou, tão exaurido que não falaram nada. A falta que faz um GPS na vida de uma pessoa...
Um comentário:
Cuidado quando se guiarem por dentro de cidades com o GPS. Há muitas ruas que têm o trânsito restrito aos moradores eo GPS não sabe! Ganhei algumas multas por não conseguir entender as placas que avisam sobre estacionamento ou transito proibido. Sempre que achar ruas estreirtas, pergunte a alguém se pode andar por ali de carro!
Bjos!
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