Puxa uma cadeira, e relaxe...

29 de out. de 2010

DIA 13

Costigliole, 21 de outubro de 2010
quinta

Hoje cheguei no Instituto e fui informada de que, dado o fato de que vagaram algumas camas no alojamento estudantil, eu e Renata fomos intimadas a ir para lá.

Tchau hotel, tchau serviço de quarto, tchau camareira, tchau chuveiro poderoso, tchau privacidade.

A aula começou com a diretora da Escola pagando geral. Todos os dias os brasileiros fazem churrasco, com suas músicas tribais tocando, agora cataram blocos de cimento e lenha do vizinho para a churrasqueira improvisada, de onde, diz a lenda, sai até um feijão na lenha. O vizinho queria chamar os carabinieri. Os coreanos estão enlouquecidos. Ai, esses brasilianos...

Não sei se estou feliz ou triste de ir pra lá.

Como a mise-en-place foi do meu grupo, fui intimada a assistir o chef nas preparações da aula magna. Aula magna aqui, é simplesmente uma aula teórico-demonstrativa. Foi bem legal porque, pela primeira vez desde que cheguei aqui, pus a mão na massa.
As receitas de hoje foram Lasagneta ao Piccino, que vem a ser uma lasanha redondinha de pombo, bem bonita e gostosa. A massa era de trigo normal e farro, um cereal que eles têm aqui. Interessante. Embora eu quase tenha desmaiado quando o cara me mandou limpar o pombo, com a cabeça penachenta pendurada, a carne vermelha escura sob a pele arrepiada. Pelo menos ele garantiu que não eram da Piazza San Marco. Agnolottini Del Plin com dois molhos: fundo de arrosto e burro e salvia. Esse agnolottini é muito tradicional na região, plin é beliscão e se refere ao modo como a massa é fechada. O recheio é um ragu de carne de vitelo e porco processado com espinafre, contudo o chef falou que o espinafre deixa o recheio muito verde, o que sai do padrão e que, por isso pode-se com lucro, substituí-lo por escarola. Mas eu nunca consegui entender o que é escarola! Teve também Tagliolini com Bottorga e Uvetta su passata di spinaci. Eu que fiz todas as massas! Fiquei feliz.

O chef em questão chama-se Pier Busetti. Já teve um restaurante estrelado em Turino, o qual fechou para abrir, em junho deste ano, num castelo medieval em Govone, perto daqui, um novo restaurante que está badaladíssimo. Ele foi discípulo do Ferran Adriá. Chique, bem.

Mas, a verdade é que não lavo roupa desde que cheguei e tenho uma mega sacola de roupa suja. Assim, eu, Marquito e Renata combinamos de ir à Cascina juntos para lavar roupa e conhecer o ambiente, já que iremos pra lá, né?

Antes teve um quebra-pau com as coreanas que não queriam que eu, brasileira selvagem fosse pro quarto delas.

Lavamos as roupas, e... surpresa! A secadora estava quebrada, assim, depois de andar 1 km subindo e descendo do hotel até lá com a saca literalmente de lavadeira, tive que subir tudo de novo... só que dessa vez com as roupas molhadas. Nessuno merita.

Impressionante como herdei o azar do meu pai com eletroeletrônicos e gadgets em geral. Não tenho tempo para me adaptar ao netbook novo, então não tenho skype, nem realplayer para ver Dexter, não consigo baixar a novela por causa da conexão (estou pensando em pedir pra Globo passar Passione no próximo Vale a Pena Ver de Novo assim que eu chegar!), eu ponho o fone pra não atrapalhar a Renata e conseguir falar com o Brasil, mas o som vaza. Não tiro fotos desde domingo porque a bateria da máquina não carrega, não sei se o problema é a bateria ou o carregador. A TIM decidiu que eu não posso usar meu celular e não consigo tempo para ir a Asti comprar um chip da Wind.

Vai vendo...

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