Puxa uma cadeira, e relaxe...

29 de out. de 2010

DIA 12

Costigliole, 20 de outubro de 2010
quarta

Convenhamos, não está frio. Não sei se é porque eu esperava a tal queda brusca de temperatura que foi anunciada, mas lá em casa faz bem mais frio que isso!!! 13, 14 graus... humpf.

Bem, hoje a escola recebeu convidados americanos, e, sob o pretexto de Exercitazione di Cucina a minha turma foi inteira pra cozinha fazer um mega chique almoço.

A chef responsável por tudo que diz respeito ao funcinamento alimentar do Instituto chama-se Paola. Não sei muito o que pensar sobre ela, mas uma coisa que chama atenção são os cabelos. Sempre desgrenhados. Fico imaginando que se um de nós morresse hoje e fizessem autópsia, ela seria acusada na hora, pois deve haver monte de cabelos dela no estômago e nas roupas de cada um de nós.

O almoço incluía vários fingers food, cada um ficou responsável por uma coisa, o que é ruim porque só dava pra aprender o que você estava fazendo. Eu comecei com uma torta de nocciola que era mais um bolo, bem fácil de fazer, mas não sei se ficou bom... não provei! Como tudo o mais. Depois fui fazer um cordeiro bem legal, a gente pega a peça toda da costela com os ossinhos e ao invés de deixar e limpar os ossinhos pra servir daquele modo tradicional, extrai a carne, com um corte limpo, separando-a dos ossinhos. Fica um filé. Aí passa na gema de ovo temperada com sal e pimenta e depois na farinha de pão tostado com nocciolla com pimenta e ervas aromáticas e depois faz isso de novo, até ficar bem empanadinho. Aí coloca no filme de PVC como se fosse fazer sushi, apertando e enrolando, e, geladeira. Depois, quando está mais firme, tem que selar na frigideira com manteiga e azeite e cortar como hot Philadélfia. Não sei como se serve, mas imagino que sobre uma caminha de folhas delicadas. Bem legal.

Depois me puseram diante de duas abóboras para descascar e cortar para a sopa que seria o nosso jantar. Gente, a abóbora aqui é muiiiito maior que uma melancia, juro. A Renata me ajudou, minha mão ficou laranja e doída.

Sei não, desconfio que entrei de gaiato num navio...

Foi tão pauleira, que nem almoçamos. Eu estava tão estressada que assim que pude fui embora! Fui esperar na cidade pelo horário de voltar pra o encontro e pegar o ônibus que nos levaria a Asti para uma visita.

Com isso, finalmente consegui ir ao Correio minutos antes que fechasse e comprar o bendito cartão telefônico internacional.

A cidade já não tem muita gente, e fecha INTEIRA para a sesta. De 13 às 15:30 nada abre, não tem uma alma na rua, e todas as janelas são fechadas e você ouve o som dos seus passos caso, como eu, cometa a sandice de caminhar nas ruas. E foi nesse cenário que eu fui ao orelhão da praça. Comecei ligando para o meu irmão. Fiquei tão feliz!!! Ele disse que Fátima está andando e correndo e parece um pinguinzinho bêbado. Minha voz ecoava. Daí, quando fui fazer a segunda ligação veio andando um senhor baixinho e de bigode e ficou parado a uns 6 metros de mim, me olhando. Eu achei meio bizarro e continuei telefonando, mas aquela presença insistente me incomodou, e desisti, achei que talvez ele quisesse usar o telefone. Fui em direção a outra praça onde tinha um banquinho, e a criatura atrás de mim.

Eram dois conjuntos de passo para se ouvir. Fácil saber que se está sendo seguida.

Será um gnomo que veio lá de Boca do Mato com saudade de mim??

Sentei no banquinho, ele parou à minha frente. Eu perguntei no meu italiano perfeito se ele precisava de ajuda, ao que ele respondeu em seu italiano meio bêbado: como pode ser ajudada? Alguns minutos transcorreram eu explicando que não precisava de nada, ele se apresentando (chamava-se Ângelo, o duende, e queria por força me ajudar), eu já estava quase solicitando que ele fosse a Escola lavar a minha parte da louça quando ouço mais passos se aproximando.

E quando os donos dos passos se tornam visíveis, noto, feliz que são Adriana e Danton, vulgo, marido e marida. Marida faz o curso comigo. Marido está acompanhando. São curitibanos. Ei!!!! Me salvem aqui!!! Corri ao encontro deles me despedindo do Leprechaun e fomos pegar o ônibus.

É cada uma.

Bem, todo mundo pra Asti para visitar a D. Barbero, onde se produz um dos melhores torrones da região. O Piemonte é a região produtora de torrones, porque a nocciola aqui é De Denominação de Origem Controlada. Aliás, tudo é! Loucura, meu povo. A fábrica existe há anos e é da mesma família. Comprei uns pra mandar para o Brasil.

Depois, enquanto esperávamos o ônibus, vi uma nesga de sol, na rua. Eu, que no Brasil fujo do sol como uma vampira tive uma epifania e sentei na calçada bem onde o sol batia e fiquei lá, feliz, cantando baixinho. Depois, vieram me perguntar o que eu estava rezando. Pronto, não bastasse a fama de maluca, agora vierei curimbeira também. Mas eu mereço.

No ônibus fomos informados de que o meu grupo deveria voltar para a escola para fazer a mise-en-place do dia seguinte. Ai.

As japonesinhas adolescentes foram embora... e agora chegou um ônibus com uns 25 japorongas! Eles andam enfileirados dizendo Ciaôôô e rindo fininho com a mão na boca. Eu hein.

Cheguei tarde e muito, muito, muito cansada. O chuveiro do hotel é um acontecimento!!! Tem a água que sai de cima, a que sai de baixo, e a que sai do meio em quatro jatos! Bom pras costas!!

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