Costigiliole, 29 de outubro de 2010
sexta
Como o diabo faz hora com o cristão, para realçar a maravilha do momento, hoje é o dia da primeira prova. Obviamente não posso me levantar agora. Peço à Renata que diga à Elisa, a secretária, que por favor venha me buscar por volta das 10 h.
Decido não tomar nenhum remédio mais e tentar me desintoxicar e segurar a dor, enquanto isso.
Quando todos saem e a cascina se esvazia, ainda investida da minha personalidade último dos mortais, lembro-me de que a prova de hoje significa que o Grupo que veio para fazer o Corso Breve (ao qual eu inicialmente pertencia)) vai todo embora amanhã; O Marcos, a Lu, o Paulão, a Adriana e a Renata. E eu vou ficar aqui. Nessa situação.
Recebo uma ligação da escola dizendo que é melhor eu não ir, pois os 5 graus podem piorar minha coluna e que na próxima semana eu serei avaliada em separado pelo chef Andrea.
Diante disso tudo e da dor, noto que o caso pede um rivotril. Meu último ato é abrir o quarto para ventilar e, dormir. E dormi. Dormi até 3 da tarde. Tendo sido acordada por uma Renata desesperada querendo saber se eu ainda vivia. Notei que sim, vivia e que a dor de cabeça finalmente tinha cedido. E que, ao fim, alguém queria saber se eu ainda vivia.
Lembrem-se que eu sou filhinha de papai, de mamãe, irmãzinha de irmão e xodózinho de xu, de modo que sim, sou superprotegida, mimada e muito, muito feliz por isso.
Mirella, a camareira desse hospício apareceu com uma tigela de cereais e o iogurte de mirtillo que eu gosto.
De repente me senti tão feliz que resolvi tomar banho!
A coluna continuava doendo, mas, o que é uma dor de coluna diante do horror das últimas 24 horas? Arrumei a cama, como minha mãe teria dito pra eu fazer, e deitei, bem mais animada num quarto bem menos fedido.
Me senti tão feliz que achei que já podia ligar para meu pai e dar notícias sem deixa-lo doido. Assim fiz. E falei, e contei, e proseei.
Só não liguei pra mamãe porque ela ia saber, tenho certeza. E ou mandava me buscarem de balão, ou vinha num zepelin me resgatar, e afinal, eu ainda não fiz o que vim fazer aqui e não é hora de ser resgatada.
Fiquei quietinha de lado, para ver se dava um descanso à coluna.
E então, lá pras 19 h, vieram me buscar aqui porque ia ser o jantar de despedida do pessoal do curso breve. Pus minha roupa mais louca, e saída dos anos 20, com direito a chapéu e poncho com camafeu, brinco e anel de marcassita, lá fui eu para uma noite que foi realmente muito agradável, especialmente porque lá chegando tive a notícia de que Renata só parte na terça feira, pois aos 44 do segundo tempo conseguiu um estágio em Govone, cidade medieval a 6 km daqui, e, embora ela não vá admitir, acho que foi também pra ficar mais perto de mim. Pois não é sempre que duas pessoas com esse calibre de loucura de cruzam!
Voltei cedo, dolorida, mas bem mais animada, e dormi, num quarto ainda mais fedido que nunca.
Aliás, decisão para segunda feira: implorar a Elisa que me mude de quarto, porque afinal aqui é o terceiro andar e tenho que subir muitas escadas!
O mundo não é de todo mal e é bem capaz de ela me ajudar!
Continuo sem remédio nenhum.
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