Puxa uma cadeira, e relaxe...

15 de out. de 2010

DIA 6

Costigliole D´Asti, 14 de outubro de 2010

Manhã em polvorosa com os projetos ... Festival de Trufas em Alba, a 20 km... balada em Milão, a outros tantos... Festival de Cinema em Trieste, do outro lado do norte da Itália, fronteira com Slovenia, Terra Madre do Slow Food em Turim...

Tudo que eu quero, por ora é ir a Cinque Terre, porque soube que esses são os últimos dias possíveis de se ir a passeio, já que é um lugar muito alto que se projeta no mar e onde faz um frio alucinado e tudo fecha. Então seria trem pra Genova, de lá Cinque Terre e no domingo Gênova de novo...

Vejamos.

Hoje tivemos a primeira aula de Enologia. O professor é uma figura, parece aquele italiano do Simplesmente Martha, charmoso, sério, circuspecto e entende do assunto. O caso é que a enoteca onde tivemos aula fica no porão do castelo. A luz é indireta e tem aquecimento. E, Deus, que sono infinito! Eu jamais fui capaz de controlar meu sono nem meu riso. Bem que eu tentei usar uma técnicas de dormi e quando a cabeça despenca, fingir concordar com veemência com o que está sendo dito. Só sei que nunca mais ponho anti-reflexo nos óculos. Se minhas lentes fossem reflexivas, o respeitável Sommelier Giancarlo Lecara não teria nem percebido. Não deu certo, né? Dormi de sonhar. Que vrigonha, como diria Andréa... Mas, entre uma babada e outra, achei a aula bem legal...
A tal enoteca é poderosa, vinhos raríssimos, várias grades que dão para buracos escuros cujo fundo não se vê, e tenho certeza que ouvi vozes aterrorizantes e arrastares de corrente...

Os amigos tem me perguntado o que eu venho achando da Escola. Então, eu venho achando legal, mas me incomoda aqui a mesma coisa que me incomodava na Estácio. Acho os professores condescendentes demais. Acho que se a criatura está aqui, em busca de uma especialização, ela tem que ter algumas noções. Não dá pra o professor ter que parar pra explicar porque o pão precisa de vapor, porque ele doura, o que é um alimento curado. Mas o que acontece, é que os professores notam o nível de incompreensão geral e freiam. E eu me sinto penalizada por isso. Porque eu sei o quanto corri atrás de saber o que é cozinha molecular, o que é Reação de Maillard, o que é uma emulsificação. Queria algo que partisse de onde eu estou. E algo que me cobrasse com rigor.

Ainda assim, está valendo a pena, claro.

Bom, para mal de todos os meus pecados, a internet do hotel, depende de um bendito fiozinho que a gente conecta no netbook. Só tem um fiozinho. Somos duas. Tudo bem se pelo menos uma vez conectadas conseguíssemos fazer tudo com rapidez. Mas não. É à manivela. E não tem wi-fi em lugar algum da cidade, nem na Escola.
Daí advém que não sei do Brasil, não sei do lado de quem a Marina está. Não sei o que está rolando. E pior, não sei da novela!! Diz que o Saulo tá pra morrer! Mas não consigo baixar! Cara! Isso é a morte!!!! Alguém podia me fazer a caridade de me contar o que está acontecendo??? Se eu conseguir viajar e tiver wi-fi, juro que baixo!!!

Pra piorar, todos os episódios de Dexter que baixei para assistir aqui, não posso ver porque o netbook não tem real player e eu não consigo baixar.

Ler, não posso, primeiro porque se eu deito, durmo, segundo porque se eu acender a luz, a Renata não dorme.

É muito triste a vida de uma pessoa.

Depois da loooooonga aula de enologia fomos ao mercadinho próximo do Instituto, aquele que vende pecorino e prociutto a E9,90 o QUILO! Primeiro a Renata pagou a parte dela, e o cara do caixa ficou olhando a carteira dela fixamente. Depois, chegou a minha vez de pagar. Eu dei uma nota de 5 e ele pediu 25 centavos. Eu abri o porta-níqueis e comecei a procurar, o homem impacientou-se e simplesmente tirou o porta-níqueis da minha mão pra procurar. Eu fiquei apatetada e a Renata disse: ô meu! Ont capiscamo!!!! HAuhaUhaAUhaUhaUAhU.... turista é muito otário, mesmo.

Depois dessa, só picnic no hotel.

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