Costigliole, 27 de outubro de 2010
quarta
Hoje acordei com muita dor ainda. Me entupi de tandrilax, peguei na mão de Deus e fui.
Dia de aula magna de manhã. Peixes, lula, sépia. Dor. Almoço. O serviço era do meu grupo. Arrumar toalha, colocar a água com o rótulo na posição certa, intercalar com os pratos de pão. Cortar os pães. Colocar os talheres, as taças, os guardanapos. Bandejas com os pratos. Dois pratos no braço esquerdo, mão direita para trás. O logo na frente do "cliente", mas o prato não pode ser rodado, tem que chegar à mesa na posição certa. Retirar pratos. Lixo no lugar do lixo. Reposição de água e pão. Secondo piatto. Tudo de novo. Depois tirar tudo. E sob o atento olhar do mestre Giancarlo Lecara e seu Pateck Phillippe de algibeira;
Troppo fredo, oggi!
Pomeriggio, aula prática. Peixes. Não gostei de nenhuma das duas receitas, apesar de o chef convidados ser um fofo. O fato é que como já mencionei, temos que lavar toda a louça e limpar a bancada, perde-se muito tempo de aula!
Na verdade iam ser três receitas, mas eu estava péssima, e, pedi pra sair. Fui encaminhada ao médico.
Chegando lá, expliquei, como podia, à burocrática secretária o que tinha antes pesquisado no guia de conversação: sonno malattia de schienna, far male!! Tenho dor de coluna, dói! Ela perguntou, sob os óclinhos: ha prenotado? Fiz cara de paisagem: no! emergência! far male, signora! E ela: tché un saco de gente. Aspeta. Aspetei, sentada e com dor, por DUAS HORAS. A coisa aqui é tão burocrática que embora eu não tivesse prenotado, houve vários vácuos de pessoas que ou não vieram, ou foram atendidas rápido, e ainda assim a simpática signora solo repetia: lui te chiama!!! ai mas me chiama quando??? Esperei.
Neste meio tempo a aula acabou e Renata veio ficar comigo. Estava HISTÉRICA. Basicamente ela não fica mestruada e nem vai ao banheiro desde que chegou aqui (ah, o comércio do 46 realmente me renderia uma fábula), pelo que percebo ela está tendo uma crise muito séria de TPM misturada com intoxicação pelas coisas que não saem do corpo dela. O rosto está todo cheio de espinhas num padrão incomum, como se algo realmente estivesse sendo expulso. E ela chora alucinadamente e tem certeza que todas as pessoas a desprezam, inclusive eu, desconfio. Fico feliz que eu não seja a única com problemas por aqui. Luciane chega e eu peço discretamente que ela a leve à farmácia e compre quilos de laxantes e alguma coisa que faça a pobre menstruar. É muito difícil a vida de uma criatura nessa situação. Quando elas voltam, REnata já tomou um sachê de fibras e dois laxantes. Se não morrer, vai ficar bem, creio. Mas o outro remédio incluía hormônios e ela preferiu esperar mais.
Chega Fernanda, a tradutora. Explico minha situação pra ela. Que tenho isso há muitos anos. Que estou passando por uma crise desencadeada pelo peso da roupa molhada e das malas que carreguei para a cascina, além de ter andado mais do que devia. Mas que vou ficar bem se tiver os remédios certos, que preciso de codeína mas não creio que ele vá me dar. E que se ele negar devemos pedir que faça aquele exame do martelinho, pois então verificarã que eu não tenho resposta neurológica do lado esquerdo e me dará o bendito remédio. Ela diz: ih... os médicos aqui dão qualquer coisa, e não fazem exame nenhum não.
E, finalmente sou chamada.
Eu vou explicando tudo isso e Fernanda vai traduzindo. Sem que eu peça ele vem me examinar, aperta minhas costas, os pontos de dor, me manda deitar e... faz o exame do martelinho. Me olha com aquela cara de: ih.... brucutu, pergunta o que eu tomava no Brasil. Explico que em caso de crises agudas, codeína. Ele faz que sim, e arescenta que vai associar a codeína com corticóides e paracetamol. Ufa.
Saio de lá mais aliviada.
Tanto que aceito o convite das meninas para ir jantar ao lado, no Café Roma, uma Enoteca Cocina. Não gostei de nada, a não ser do vinho Barbera D´Asti da garrafa das menininhas que custa 10 euros e é magnífico. A sobremesa fazia schifo. E na verdade eu queria mesmo era vir dormir. Far male!
E assim fiz.
30 de out. de 2010
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