Puxa uma cadeira, e relaxe...

29 de jan. de 2010

Tá, eu sei que eu disse que escrever diariamente deveria ser um hábito, e que eu o cultivaria. Mas há uma excessão a qual eu me permito, e encontro-me em meio a ela: Estou em Campos, na casa de papai. Sem mais pelo momento.

25 de jan. de 2010

Que eu tava aflita de te contar

Nesta manhã tive um sonho. E mandei esse e-mail para um amigo, o personagem do sonho, contando:

Embora sejam 13:51, acordei a coisa de meia hora (sim, foi uma noite complicada) após ter o seguinte sonho:

Era carnaval, eu e minha mãe estávamos indo a um caixa 24 h na Presidente Vargas ao qual se chegava, vindo de um lugar no segundo andar, onde estávamos, através de um túnel, devidamente preto que desenbocava direto no caixa e este então oferecia uma saída para a rua, onde se via e ouvia foliões anacrônicos pulando o carnaval, numa cena que, estou certa, meu inconsciente extraiu do Bebê de Tarlatana Rosa, de João do Rio.

Vínhamos nós duas andando pelo túnel e conversando, ela um pouco à minha frente quando pulou diante de nós uma figura com uma máscara, e continuou andando. Nos assustamos, mas vá lá que seja, era carnaval, afinal. E para ser franca, só agora é que percebo por que no sonho não nos assustamos tanto, era carnaval, afinal!

Quando já estávamos quase no caixa surge, vindo da esquerda - o caixa propriamente ficava à esquerda e não podia ser visto do túnel - andando vagarosamente na nossa direção um rapazola, não me lembro se ele estava fantasiado, se estava de máscara, mas a impressão que me ficou era que tinha algo incomum em sua aparência, impressão fortemente confirmada pela presença de uma faca, em sua mão. Eu diria um punhal, mas isto ia ficar dramático demais... que fosse uma faca.

Ainda esperançosas de que tudo se devesse à festa pagã, e sem muitas opções já que havia outra figura estranha atrás de nós, continuamos andando. O rapazola postou-se à direita do túnel, como se esperasse que nós passássemos para que ele pudesse entrar. Veja que até aí tudo estava mais ou menos explicado.

Assim que minha mãe, à minha frente, pôs os pés fora do túnel, na câmara do banco, o rapazola atacou-a, cravando-lhe o punhal (acho que aí cabe, não?) na lateral do abdome. E da esquerda (você sabe, da esquerda saem coisas que até Deus duvida) saiu um outro rapazola enlouquecido, este francamente fantasiado, com uma coisa pontiaguda que obviamente pretendia enfiar no olho de mamãe. Eu dei nela um empurrão e, ninja que sou, detive o punho do jovem.

Tudo isso, meu inconsciente, pouquíssimo original, sugou de Laranja Mecânica, percebo agora.

A partir daí, não sei bem como, fui parar no chão, ao lado dela, e finalmente de frente para o caixa eletrônico, onde vi mais duas pessoas. Uma outra fantasiada e a quinta, inteiramente à mostra e muito bem arrumada, era meu amigo Júlio César Pereira França.

Meu amigo, orgulho-me, era o chefe do bando e ordenou que os comparsas ficassem a postos, porém distantes. E disse à minha mãe que retirasse todo o dinheiro dela e lhes entregasse. Diante das circunstâncias, eu tentava argumentar com meu amigo, apontando-lhe o absurdo de toda aquela situação. É uma lástima que não me recorde o teor desta conversa que foi longa e tensa, ou a reproduziria aqui. Mas o resultado, foi que, chocada e aos prantos, levantei-me para retirar o dinheiro.

Enquanto eu me ocupava da transação eletrônica, a outra pessoa, fantasiada, retirou a máscara, e era o Moisés. Bem, o Moisés fazia matemática na UFRJ com meu primeiro namorado, André Ricardo, e eu não o vejo há exatos 17 anos e posso afirmar que raramente pensei nele durante este período, embora na ocasião ele fosse o amigo de quem eu mais gostava, daquele meu namorado. Assim como meu amigo Júlio César Pereira Franca, também o fora de um outro namorado. Mas disso também só me apercebo agora.

Pois o Moisés, que além de matemático, revelou-se um desprezível delator, contou calmamente à minha mãe, que a viagem que eu fiz, oficialmente para Muriqui, com a minha turma de Artes Cênicas da UniRio, enquanto meu então namorado, Bruno, estaria em Natal, foi, na verdade, uma viagem de acampamento e orgias para Ilha Grande com Bruno e seu amigo Júlio César Pereira França, que de pé, observava, incólume. Ao que eu, farta e apavorada, perguntei, trêmula: se era para fazer isso, para que esfaquear minha mãe? Contar foi deveras pior!

Bem, entreguei a ele o dinheiro, trocamos um longo e vazio olhar, e eu saí, arrastando minha mãe, agora fantasiada de Sharon Tate, por uma Presidente Vargas onde Corsos cantavam marchinhas antigas e por onde, tenho certeza, em breve cruzaríamos com o folião de Camisa Amarela tomando o quinto copo de cachaça num café zurrapa do Largo da Lapa. Pois, como ficou claro, meu inconsciente adora citações.

Porém, faça-se-lhe justiça, esta situação foi absolutamente original, o que me faz pensar nas razões de ela ter sido forjada.

Estaria eu vingando-me de mim, em nome de meu amigo Júlio César Pereira França, já que nunca me perdoei por tê-lo entregado à namorada, Samantha, contando de sua ida ao sítio em circunstâncias controversas?

Estaria eu ilustrando uma cena em que meu amigo Júlio César Pereira França concretiza o imperdoável roubo a que me submete: o de sua presença em minha vida gris?

Estaria eu inteiramente insana?
Bem, meu consciente, que é tão pouco original quanto seu avesso, termina esta parábola citando Chico Buarque para dizer a meu amigo Júlio César Pereira França que

"Foi um sonho medonho,
um desses que às vezes a gente sonha
E baba na fronha e se urina toda e já não tem paz
Pois eu sonhei contigo e caí da cama
Ai, amor, não briga, ai, não me castiga
Ai, diz que me ama e eu não sonho mais"

Tudo isso foi verdade, reconheço e dou fé.

Flávia Galvão

24 de jan. de 2010

Medo de amar

E voltei aqui para dizer duas coisas. A primeira é que Gloria Gaynor vai muito bem, obrigada. Fortinha e amada.

E a segunda é porque estou com essa canção que eu amo, do Vinícius, na cabeça há uns dois dias... e como a minha proposta aqui é reunir o que me vai à mente, quis deixa-la aqui.

O link é pro trecho do documentário Vinícius onde ela é cantada pelo Chico...


Vire essa folha do livro e se esqueça de mim
Finja que o amor acabou e se esqueça de mim
Você não compreendeu que o ciúme é um mal de raiz
E que ter medo de amar não faz ninguém feliz
Agora vá sua vida como você quer
Porém, não se surpreenda se uma outra mulher
Nascer de mim, como do deserto uma flor
E compreender que o ciúme é o perfume do amor

Harry Potter

Então, estava eu agora vendo Harry Potter e o enigma do Príncipe Mestiço que comprei no pay per view da Sky.
Minha história com Harry Potter é curiosa.
Já ia alto o ano de 2006. Como todo o ser vivente na galáxia, já estava de saco cheio de ouvir falar em Harry Potter. Mas não tinha tido muito interesse em ler. E como de hábito, não tendo lido, também não quis assistir aos filmes. Vamos dizer o que o público que era fã não me animava muito...
Ocorre porém que eu estava recém-operada e meu marido fofo, trouxe para mim o primeiro livro, que ele havia comprado no sebo para passarmos o tempo durante a minha convalecença.
Achamos uma fábula muito bonitinha e criativa.
Sendo eu obsessiva, dei um jeito de obter TODOS os livros, o sexto havia acabado de ser lançado e no cinema, naquele ano havia saído o quinto filme.
Muito bem.
Em coisa de 3 meses havíamos acabado de ler os livros. E então, alugamos os quatro filmes já lançados de uma só vez.
Como é praxe, ficamos revoltados com as coisas que se perderam entre as duas versões. E pudemos aproveitar bem a experiência pois a memória estava fresca. Discutíamos tudo... do suco de abóbora gelada à desgnomização de jardins.
Aí, um tempo depois, lançaram o quinto filme, mas eu não fui vê-lo em um bom dia... filme pra mim tem dessas coisas, como livros, também, tem que ter química... e acabei não gostando muito, e na verdade ele meio que se apagou da minha mente. Como o livro, a esta altura, também, em seus detalhes.
Depois, na metade de 2009, lançaram o sétimo e último livro e o sexto filme.
Contra todos os meus hábitos, não assisti ao filme no cinema, mas li o sétimo livro.
Estou contando tudo isso porque daí surgiram duas decisões importantes!
Explico. Suponhamos que neste exato momento esteja passando na TV um programa que eu queira ver. Por exemplo, o especial do Lobão na SESC TV. Suponhamos ainda que eu esteja aqui de boboeira. Eu vou ver o programa? Não. Eu vou gravar o programa nessa maravilha que é o sky +. Se houver uma minisérie, por exemplo, o mesmo. Isso porque eu simplesmente perco o tesão em ver qualquer coisa que eu tenho que esperar pra dar continuidade, seja a interupção no curto espaço de um intervalo comercial, e seja ela, e principalmente o sendo, no espaço que dura entre um e outro capítulo. Eu gravo tudo e vou avançando os intervalos, porque pra mim é importante ver a coisa concentrada, pra ter noção de continuidade. Coisa de obsessivo.
Com o Harry Potter foi assim. Quando estava no calor da luta da leitura dos livros, foi ótimo ver os filmes e tudo o mais. Mas agora eu já não lembro nem bem das coisas, e fico desmotivada e irritada com isso, porque acabo perdendo coisas.
Esse talvez seja um exemplo banal porque afinal é só o Harry Potter. Mas é assim com tudo.
O que nos leva à primeira decisão: Definitivamente só vou os filmes de algum modo seriados quando TODOS os episódios no papel e na tela já tiverem sido lançados.
Eu sei que havia uma segunda decisão, mas simplesmente não consigo me lembrar qual era!!!
Mas eu hei de lembrar e volto pra escrever!
Bem, o fato é que agora eu acabei de ver o sexto filme.
Eu gostei, achei a estética a mais legal de todos. Não gosto realmente de nenhum dos outros filmes. E vendo este sexto filme me lembrei do sétimo livro.
E, depois disso tudo, só que eu tenho a dizer, é: se o Dumbledore pode, depois de morto ficar interagindo com o povo em Hogwarts - o que é coerente com a história - por que diabos o Sirius não fez o mesmo?
É, rapadura é doce mas não é mole não.

23 de jan. de 2010

Cenas de Natureza Sexual

Foi o filme de hoje. Inglês, de 2006, de Ed Bloom. Achei distraído...

22 de jan. de 2010

É uma menina!

É isso aí!
Mamou a noite toda e foi ao veterinário hoje, montadinha numa bolsa de água quente, muito prosa. A médica disse que Gloria Gaynor vai vingar!
Será?
Pra mim, tanto faz, nem tô me apegando a ela.

Hoje um cachorrinho me encontrou no mundo.


Sujo. Tremendo. Com o cordão umbilical pendurado. Infestado de moscas verdes. Na minha ladeira, sozinho, sobre a trilha de pedras por onde o carro passaria em poucos minutos.

Agora está aqui, ao meu lado, em uma caixa, sobre trapos, aquecido por uma luminária coberta, de cima da qual recusa-se a sair.

Alimento-o a cada duas horas com uma seringa que ele suga com a mesma força que grita quando é novamente posto na caixa. Estimulei seus genitais com um contonete para que possa urinar e defecar.

Não sei ainda se é menino ou menina.

Procuro não gostar dele.




A Tortura do Silêncio



Hoje foi A Tortura do Silêncio, I Confess, filmado em 1953, no Quebec. Um Hitchcock básico. O que mais me chamou a atenção foi... o topete de Montgomery Clift como o Padre Logan. Também estavam lá Anne Baxter, o de sempre, e Karl Maden, este sim, brilhante como o Inspetor Larrue.

Então, a idéia é a seguinte. Um alemão, Keller, que com sua mulher, Alma, trabalha em uma paróquia, resolve vestir-se de padre e, pra conseguir um troco, matar um cidadão. Ao voltar pra casa e cruzar o padre Logan (Clift e seu topetinho) decide se confessar e conta tudinho em detalhes ao incauto padre. Tá. Aí, o padre, esperto, na manhã seguinte, pinta na casa do falecido. Está dada a celeuma.

Bom, há dilemas morais que envolvem a Anne Baxter (quem poderia culpa-los?) e a coisa fica preta pro padre porque tudo aponta pra ele.

E, sei lá, claro que é um filme acima da média, mas ainda assim, já fui bem mais torturada pelo Hitch, e por bem menos. Quer dizer, pro tamanho do argumento, acho que o barulho foi pouco. Talvez porque a cara de torturado do padre não convença muito. Sabe quem acho que teria sido o padre perfeito? Gregory Peck. Mas eu devo achar isso porque já conheço a pra lá de eficiente cara de torturado do Peck, que o mundo só veio a conhecer 3 anos depois de Tortura do Silêncio, quando ele encarnou, em 1956, o Ahab, em Moby Dick.
E também, esse negócio de fulano é que ficaria bom é um argumento idiota.

Ah, nesse, Hitchcock aparece logo no comecinho, atravessando da direita pra esquerda.





21 de jan. de 2010

DISTIMIA

Distimia. Essa é a palavra do momento pra mim.
Sinto-me aliviada em saber que tenho um problema, sem cura, mas com tratamento.
É de difícil diagnóstico, pois a tendência é achar que a gente é assim. Eu sempre achei.
Em mim, os principais sintomas são severas alterações do sono, do apetite, e um sentimento de fadiga quase que permanente.
Achei tão importante que quis colocar aqui.
Voilá!


Características / Diagnóstico

Os traços essenciais da distimia são o estado depressivo leve e prolongado, além de outros sintomas comumente presentes. Pelo critério norte americano são necessários dois anos de período contínuo predominantemente depressivo para os adultos e um ano para as crianças sendo que para elas o humor pode ser irritável ao invés de depressivo. Para o diagnóstico da distimia é necessário antes excluir fases de exaltação do humor como a mania ou a hipomania, assim como a depressão maior. Causas externas também anulam o diagnóstico como as depressões causadas por substâncias exógenas. Durante essa fase de dois anos o paciente não deverá ter passado por um período superior a dois meses sem os sintomas depressivos. Para preencher o diagnóstico de depressão os pacientes além do sentimento de tristeza prolongado precisam apresentar dois dos seguintes sintomas:

  • Falta de apetite ou apetite em excesso
  • Insônia ou hipersonia
  • Falta de energia ou fadiga
  • Baixa da auto-estima
  • Dificuldade de concentrar-se ou tomar decisões
  • Sentimento de falta de esperança

Características associadas
Estudos mostram que o sentimento de inadequação e desconforto é muito comum, a generalizada perda de prazer ou interesse também, e o isolamento social manifestado por querer ficar só em casa, sem receber visitas ou atender ao telefone nas fases piores são constantes. Esses pacientes reconhecem sua inconveniência quanto à rejeição social, mas não conseguem controlar. Geralmente os parentes exigem dos pacientes uma mudança positiva, mas isso não é possível para quem está deprimido, não pelas próprias forças. A irritabilidade com tudo e impaciência são sintomas freqüentes e incomodam ao próprio paciente. A capacidade produtiva fica prejudicada bem como a agilidade mental. Assim como na depressão, na distimia também há alteração do apetite, do sono e menos freqüentemente da psicomotricidade.
O fato de uma pessoa ter distimia não impede que ela desenvolva depressão: nesses casos denominamos a ocorrência de depressão dupla e quando acontece o paciente procura muitas vezes pela primeira vez o psiquiatra. Como a distimia não é suficiente para impedir o rendimento, apenas prejudicando-o, as pessoas não costumam ir ao médico, mas quando não conseguem fazer mais nada direito, vão ao médico e descobrem que têm distimia também.
Os pacientes que sofreram de distimia desde a infância ou adolescência tendem a acreditar que esse estado de humor é natural deles, faz parte do seu jeito de ser e por isso não procuram um médico, afinal, conseguem viver quase normalmente.

Idade
O início da distimia pode ocorrer na infância caracterizando-a por uma fase anormal. O próprio paciente descreve-se como uma criança diferente, brigona, mal humorada e sempre rejeitada pelos coleginhas. Nessa fase a incidência se dá igualmente em ambos os sexos. A distimia é sub-dividida em precoce e tardia, precoce quando iniciada antes dos 21 anos de idade e partia após isso. Os estudos até o momento mostram que o tipo precoce é mais freqüente que o tardio. Por outro lado estudos com pessoas acima de 60 anos de idade mostram que a prevalência da distimia nessa faixa etária é alta, sendo maior nas mulheres. Os homens apresentam uma freqüência de 17,2% de distimia enquanto as mulheres apresentam uma prevalência de 22,9%. Outro estudo também com pessoas acima de 60 anos de idade mostrou que a idade média de início da distimia foi de 55,4 anos de idade e o tempo médio de duração da distimia de 12,5 anos.
A comparação da distimia em pessoas com mais de 60 anos e entre 18 e 59 anos revelou poucas diferenças, os sintomas mais comuns são basicamente os mesmos. Os mais velhos apresentaram mais queixas físicas enquanto os mais novos mais queixas mentais.

Curso
A distimia começa sempre de forma muito gradual, nem um psiquiatra poderá ter certeza se um paciente está ou não adquirindo distimia. O diagnóstico preciso só pode ser feito depois que o problema está instalado. O próprio paciente tem dificuldade para determinar quando seu problema começou, a imprecisão gira em torno de meses a anos. Como na maioria das vezes a distimia começa no início da idade adulta a maioria dos pacientes tende a julgar que seu problema é constitucional, ou seja, faz parte do seu ser e não que possa ser um transtorno mental, tratável. Os estudos e os livros não falam a respeito de remissão espontânea. Isso tanto é devido a poucas pesquisas na área, como a provável não remissão. Por enquanto as informações nos levam a crer que a distimia tenda a permanecer indefinidamente nos pacientes quando não tratada.

Tratamento
Os tratamentos com antidepressivos tricíclicos nunca se mostraram satisfatórios, as novas gerações, no entanto, vem apresentando melhores resultados no uso prolongado. Os relatos mais freqüentes são de sucesso no uso da fluoxetina, sertralina, paroxetina emirtazapina.

Última Atualização: 15-10-2004
Ref. Bibliograf: Liv 01 Liv 03 Liv 17 Liv 13
Psychiatry Research 2001; 103:219-228
Clinical Features of Dysthymia and Age
Silvio Bellino

Corisco e Dadá



Mas hein?Vim escrever porque me parece que é uma rotina que devo criar.

Acabo de assistir Corisco e Dadá de Rosemberg Caryri.

Tenho uma atração antiga por tudo que diz respeito ao cangaço. Começou quando, em criança, folheava a coleção Nosso Século, companhêra véia, e vi a foto famosa das cabeças do bando de Lampião expostas em Angicos, Sergipe. Teve uma cabeça em especial, a primeira à esquerda na fileira de cima. Não me lembro o nome do cabra, mas poucas vezes vi uma criatura tão assustadoramente feia. Claro que o mórbido da foto contribuiu muito. Enfim, li a reportagem toda e tudo o que achei desde então.

Adorei a música do filme e tô até agora ecoando: Curisssssscôôôô!

E amei as imagens inicias, reais, do bando se exibindo para a câmera do “turco” Benjamin Abraão. Achei apenas que essas imagens deveriam ter sido novamente expostas no fim, quando a gente já é capaz de identificar a turma. E a foto minha amiga aparece no final, de modo que eu pude me reencontrar com o filho do cão. Tadinho.

Bem, outra impressão que tive é que Dadá não seria assim tão cangaceira, já que pelo menos no filme seu ato mais radical foi, quando do assassinato de Corisco, cortar o próprio pé. O que não é pouco, claro. Mas, bem, ela não estava lá por escolha. Quase morreu da hemorragia decorrente de seu estupro, promovido por Corisco quando a raptou, aos 12 anos. Sofreu tanto, a pobre, que acabou até amando o homem. Se correr, o bicho pega, se ficar... Tive a impressão de que ela não era assim como Maria Bonita, arretada body and soul.

Ledo Ivo Engano. Fui me informar. Pois bem. Segundo Semira Adler Vainsecher: "Por sua grande coragem, ela era tão admirada pelos bandidos que certos chefes de bandos ressaltavam:Dadá vale mais do que muito cangaceiro! Com o Diabo Louro, ela teve sete filhos, mas apenas três deles conseguiram sobreviver".

Essa última informação também não ficou clara no filme. Eu tive a impressão de que todos os filhos morreram.

Semira segue a contar que “em outubro de 1939, durante um duro combate contra três volantes, na fazenda Lagoa da Serra, em Sergipe, Corisco foi ferido e nunca mais se recuperou: ficou com a mão direita paralisada e o braço esquerdo atrofiado. A partir desse dia, Dadá se tornou a primeira (e única) mulher no cangaço a utilizar um fuzil.”

Assim, me retrato: Dadá era cabra macho sim senhor.

Bem, ela ter amputado o próprio pé se revelou licença poética. A danada, poupada da morte, casou-se de novo com um pintor de pareder e viveu até 1994. Com seus filhos (dela e de Corisco), moveu mundos e fundos pra ter o direito, em 1969, de enterrar a cabeça junto com o corpo do companheiro, pois até então, este singelo “membro”, jazia exposto em um museu em Salvador.

Minhas últimas considerações são: como a Dira Paes é linda e como o Chico Diaz é o pau de arara mais interessante do cangaço.

Sei lá... sinto-me compelida pelo cangaço... de novo! Capaz até de me render ao Glauber... será?


20 de jan. de 2010

Ah sim... beetlejuice... como o fantasma de Tim Burton...
Esse blog começa em uma noite em que clamo por um exorcizador de vivos!
Assim, beetlejuice! beetlejuice! beetlejuice!!!!
Três marteladas e...
Está aberta a sessão!

19 de jan. de 2010

Saudações (de mim para minha pessoa!)

Ok. Não aguento mais perder TUDO por causa de intempéries. Fotos que mofam. Textos e mais textos que se vão em agádês formatados, pendrives queimados. Memória escassa. Seja lá o que for, agora vai ficar guardado aqui. É pra ser um espaço meu. Se você está lendo isso e não sou eu, com certeza me pediu o endereço. Não imagino porque tenha feito isso. É uma tortura tentar entender a viagem alheia. Mas se está aqui, fica, né?