

Mas hein?Vim escrever porque me parece que é uma rotina que devo criar.
Acabo de assistir Corisco e Dadá de Rosemberg Caryri.
Tenho uma atração antiga por tudo que diz respeito ao cangaço. Começou quando, em criança, folheava a coleção Nosso Século, companhêra véia, e vi a foto famosa das cabeças do bando de Lampião expostas em Angicos, Sergipe. Teve uma cabeça em especial, a primeira à esquerda na fileira de cima. Não me lembro o nome do cabra, mas poucas vezes vi uma criatura tão assustadoramente feia. Claro que o mórbido da foto contribuiu muito. Enfim, li a reportagem toda e tudo o que achei desde então.
Adorei a música do filme e tô até agora ecoando: Curisssssscôôôô!
E amei as imagens inicias, reais, do bando se exibindo para a câmera do “turco” Benjamin Abraão. Achei apenas que essas imagens deveriam ter sido novamente expostas no fim, quando a gente já é capaz de identificar a turma. E a foto minha amiga aparece no final, de modo que eu pude me reencontrar com o filho do cão. Tadinho.
Bem, outra impressão que tive é que Dadá não seria assim tão cangaceira, já que pelo menos no filme seu ato mais radical foi, quando do assassinato de Corisco, cortar o próprio pé. O que não é pouco, claro. Mas, bem, ela não estava lá por escolha. Quase morreu da hemorragia decorrente de seu estupro, promovido por Corisco quando a raptou, aos 12 anos. Sofreu tanto, a pobre, que acabou até amando o homem. Se correr, o bicho pega, se ficar... Tive a impressão de que ela não era assim como Maria Bonita, arretada body and soul.
Ledo Ivo Engano. Fui me informar. Pois bem. Segundo Semira Adler Vainsecher: "Por sua grande coragem, ela era tão admirada pelos bandidos que certos chefes de bandos ressaltavam:Dadá vale mais do que muito cangaceiro! Com o Diabo Louro, ela teve sete filhos, mas apenas três deles conseguiram sobreviver".
Essa última informação também não ficou clara no filme. Eu tive a impressão de que todos os filhos morreram.
Semira segue a contar que “em outubro de 1939, durante um duro combate contra três volantes, na fazenda Lagoa da Serra, em Sergipe, Corisco foi ferido e nunca mais se recuperou: ficou com a mão direita paralisada e o braço esquerdo atrofiado. A partir desse dia, Dadá se tornou a primeira (e única) mulher no cangaço a utilizar um fuzil.”
Assim, me retrato: Dadá era cabra macho sim senhor.
Bem, ela ter amputado o próprio pé se revelou licença poética. A danada, poupada da morte, casou-se de novo com um pintor de pareder e viveu até 1994. Com seus filhos (dela e de Corisco), moveu mundos e fundos pra ter o direito, em 1969, de enterrar a cabeça junto com o corpo do companheiro, pois até então, este singelo “membro”, jazia exposto em um museu em Salvador.
Minhas últimas considerações são: como a Dira Paes é linda e como o Chico Diaz é o pau de arara mais interessante do cangaço.
Sei lá... sinto-me compelida pelo cangaço... de novo! Capaz até de me render ao Glauber... será?
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