19 de set. de 2013
"o teu amor é uma mentira
que a minha vaidade quer
e o meu, poesia de cego,
você não pode ver
não pode ver que no meu mundo
um troço qualquer morreu
um corte lento e profundo
entre você e eu
o nosso amor a gente inventa
pra se distrair"
17 de set. de 2013
Plenitude
Houve uma tarde na praia do Leme.
Não havia nomes para o que eu sentia.
Nem planos.
Dentro de mim, tudo.
O tempo de uma tarde.
13 de set. de 2013
a falta de uma clave de sol
E essa vontade de deitar contigo,
e ler-te, entusiasmada,
aquela pequena história de cronópios...
a que traz em si toda a verdade dos tempos.
Essa vontade de que não fosses pronome,
mas verbo e carne.
E de que ao menos existisses
e me trouxesses teu cheiro.
E fosse eu, tua. E fostes tu, meu.
E que nos brotassem cactus e filhos.
e também eles fossem Cronópios,
colcheias nos fios tensos de nossa pauta de metal.
E, quando se dissipe nosso amor em pólen,
fossemos pelo mundo com o gosto bom um do outro
num canto qualquer da boca.
4 de set. de 2013
Sinapses
Toda a minha experiência estética até o momento baseava-se no estímulo dos meus sentidos e da minha reflexão. E é inevitável perceber (e muito difícil admitir) que minha experimentação da arte é irremediavelmente hedonista, ainda que o prazer se dê, eventualmente, por via do incômodo ou até do horror.
Eis que então, a esta altura dos fatos, tenho essa experiência fugaz - que sorte, nunca recusa-las - com o Heavy Metal e percebo que uma nova cognição estética foi ativada em mim.
O prazer que posso obter com a audição de uma obra de Metal não é imediato. E para nota-lo, foi preciso estar exposta àquilo quase à contragosto, e passar pela Redenção.
Toda a organização rítmica, vocal e melódica (quando há melodia) conduz minhas próprias conturbações a colidirem com o tormento daquela estrutura musical. E se eu não rejeito o incômodo de imediato, sobrevém a Redenção. E a partir dela o Prazer. E então, o Apaziguamento.
Como quando eu ouço Beethoven, Carl Orff. Como o alumbramento estético que me acomete toda vez que sou envolvida pela beleza, e me conecta com a realidade, da qual sempre nos noto a todos tão perigosamente afastados.
Num momento em que me sinto tão forte, tão segura, tão de pele trocada, encontro esta representação estética do vigor que sinto em mim.
Talvez, como a serotonina e o THC, nossos neurônios tenham um receptor para Heavy Metal.
2 de set. de 2013
Constrange-me que sejam as minhas, questões humanas.
Tão humanas.
Demasiado humanas.
Tenho vergonha do analista, pelo banal de mim.
Tão humanas.
Demasiado humanas.
Tenho vergonha do analista, pelo banal de mim.
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