Puxa uma cadeira, e relaxe...

4 de set. de 2013

Sinapses


Toda a minha experiência estética até o momento baseava-se no estímulo dos meus sentidos e da minha reflexão. E é inevitável perceber (e muito difícil admitir) que minha experimentação da arte é irremediavelmente hedonista, ainda que o prazer se dê, eventualmente, por via do incômodo ou até do horror.

Eis que então, a esta altura dos fatos, tenho essa experiência fugaz - que sorte, nunca recusa-las - com o Heavy Metal e percebo que uma nova cognição estética foi ativada em mim.

O prazer que posso obter com a audição de uma obra de Metal não é imediato. E para nota-lo, foi preciso estar exposta àquilo quase à contragosto, e passar pela Redenção.

Toda a organização rítmica, vocal e melódica (quando há melodia) conduz minhas próprias conturbações a colidirem com o tormento daquela estrutura musical. E se eu não rejeito o incômodo de imediato, sobrevém a Redenção. E a partir dela o Prazer. E então, o Apaziguamento.

Como quando eu ouço Beethoven, Carl Orff. Como o alumbramento estético que me acomete toda vez que sou envolvida pela beleza, e me conecta com a realidade, da qual sempre nos noto a todos tão perigosamente afastados.

Num momento em que me sinto tão forte, tão segura, tão de pele trocada, encontro esta representação estética do vigor que sinto em mim.

Talvez, como a serotonina e o THC, nossos neurônios tenham um receptor para Heavy Metal.





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