Puxa uma cadeira, e relaxe...

29 de jan. de 2014


Imploro às almas que tenham cuidado com minha mãe, que dela já não posso cuidar.
Imploram que levem a ela o meu recado de amor e gratidão.
E sigo com minha vida, repleta de planos felizes e cheios de uma espera infantil de que se eu olhar bem, vou ver o mundo rodar.
Deixe-me ir, preciso andar. 

23 de jan. de 2014

17 de jan. de 2014

Quem é ateu, e viu milagres como eu...

Morre minha mãe.
E com ela, a filha que há em mim.
Meus filhos, se os terei, avó não terão.
Nunca mais beijos em meu pescoço.
E nada brilhante a escrever.
Só um silêncio de sepulcro.


15 de jan. de 2014

Agnus Dei



Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dá-lhes o descanso
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dá-lhes o descanso
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dá-lhes o descanso eterno.



Clínica São Carlos, Rio de Janeiro, 15 de janeiro de 2014.






1 de jan. de 2014

Desassossego


Às sete da manhã do primeiro dia do ano, abri os olhos e pensei, instantaneamente, que começava aquele ano com a alma árida.
Tentei dormir novamente e não pude.
E fui me dando conta devagar de que aridez é o antônimo de mim.
A dor não é árida.
Uma alma dolorida é uma alma repleta, embora não plena.
Carrego em mim as mais terríveis perspectivas e tenho tanto medo.
Tenho esperança. E cuido. Que as esperanças são bichos escarnecedores.
Não há refúgio.
Há apenas essa manhã. E minha mãe.
E esse ser atravessado. Essa que sou eu, mas que não sei bem. E a minha própria companhia irresoluta.
E toda uma vida nas mãos.