Puxa uma cadeira, e relaxe...

24 de abr. de 2011

Flamenguismo Enrustiscente - novo vocábulo


Gente, deixa eu ver se tô entendendo uma coisa. Não entro no mérito de equipe alguma nesse momento. Após apreciar os vários urros rubro-negros que pulularam em minhas "frentes virtuais", notei que nenhum deles era de enaltecimento ao antipático time, mas sim, em sua maioria, as postagens cuidavam de "apontar" o que seria um "demérito" constituído por supostos "desvios" de orientação sexual da torcida adversária, no caso, a minha. Isso não me ofendeu, ao contrário, se fosse verdade, só serviria para me orgulhar, dado o alto índice de sensibilidade e perspicácia dos homossexuais, grupo ao qual, não fosse por minha teimosa orientação hétero, eu não teria vergonha alguma de pertencer e que são companheiros de arquibancada muito benvindos. Assim, o que quero saber é: isso é tudo o que vocês têm pra dizer do meu time? É essa a "acusação"? Sabe, detesto vira-casacas, mas, diante de puerilidade tão flagrante, se eu fosse você, meu amigo menos bruto e mais inteligente que a vida ardilosa forjou rubo-negro, desertava.

Flávia Galvão, tricolor e aspirante a gay.  

Burguesa, com certeza.



Recebi de meu pai, sempre preocupado com os perigos da exposição virtual, um e-mail falando sobre um suposto aplicativo secreto do IPhone 4 que seria um localizador à revelia. Com memória de registro da localização dos usuários. Meu primeiro impulso é o de ser sempre contra qualquer coisa feita à revelia. Mas, como tudo, sobreveio uma reflexão sobre o assunto. 


Comprei no ano passado um Motoblur Quench, que jamais chegou a ser de fato eficiente, porque é um mau aparelho e está agora na oficina. Anseio por poder comprar um IPhone. O fato é que enquanto eu estive com o motorola, já antes de viajar, avisei aos meus que, caso acontecesse qualquer coisa comigo, era possível me localizar pelo Google Maps,pois, uma vez que não tenho nada a esconder e nenhum encontro com o senhor Bin Laden, adquiri voluntariamente um aplicativo que fazia isso, ativando uma ferramenta que já  possibilitou o resgate de pessoas de desastres e sequestros. 


Procuro ter sempre em mente que a tecnologia que destruiu Nagasaki é a mesma que denuncia um câncer a ser extraído de um cérebro. Novas tecnologias são só mais uma coisa inexorável e por cujas benesses  há uma taxa a pagar. Death and taxes, dizem sabiamente os americanos. É infantil e ligeiramente perverso acreditar em almoço grátis. Ah! Eu sou contra energia nuclear! É, cara pálida? Então abra mão do seu ar-condicionado, porque energia solar não dá conta de tantos aparelhos ligados no mundo. Ah! Eu sou contra o twitter! É? Então cala a boca e não fale mais, em protesto, porque desde o momento em que o homem abriu  a matraca, não fez outra coisa senão procurar meios de fazer com que sua loquacidade chegasse cada vez mais longe. Deixemos de falar e ouvir rádio, deixemos de editar livros. Deixemos de ser hipócritas. 


Eu não tenho pretensões a falar para as massas. Sou fundamentalmente livre, e radicalmente a favor da liberdade irrestrita e autonomia irrevogável. Creio que isso seja ser verdadeiramente anarquista. Confio totalmente no direito que as pessoas têm de fazer suas escolhas, mesmo que elas não sejam exatamente as que eu faria. E internet, ao meu ver, é a exacerbação dos direitos e possibilidades pessoais, é a democratização da comunicação, e por isso incomoda tanto aos autoritários. Qualquer um tem voz. Qualquer um pode ter um blog, um site, um facebook, um twiiter, o que for e assim mostrar sua música sem a intervenção autoritária de uma gravadora. Compartilhar seu pensamento sem pagar a uma editora. Falar com pessoas sem o crivo ideológico de uma emissora; É a experiencia  real da democracia. Sem demagogia. Tem força demais. E é um perigo para os que anseiam por qualquer modo de controle. 


homem, desde sempre firmou sua existência em espaços urbanos e construiu aldeias e cidades, porque precisa de seu semelhante para viver. Quando o primeiro homem se mudou do campo para cidade, e apareceram os dois primeiros vizinhos do planeta, neste momento também surgiu a fofoca, a intromissão na vida alheia, mas ninguém nunca mais deixou de fazer um bolo por falta de uma xícara de açúcar. Todas as aproximações, além de xícaras de aaçúcar, trazem, por definição, quebra de privacidade. Felizmente ainda há lugares onde se pode viver com privacidade. Ou com a ilusão dela. Sempre pode-se ir para uma cabana no Himalaia, um iglu na Groenlândia, quem sabe uma linda casa na árvore na Amazônia colombiana? Sempre se pode também tentar nadar rio acima. Agora, se fizer essas coisas, saiba que você é um felizardo, porque está indo por opção. Dê aos povos reprimidos do Oriente Médio a possibilidade de comunicação pra ver se eles não derrubam o regime. Mas se você quiser, pode se dar ao luxo de ser naif e dizer que um computador é uma máquina de escrever sofisticada. Deixa só eu lembrar que ninguém escreve para o vento ler, o uso de uma máquina de escrever também é para a comunicação. Mas como você é naif, pode fingir que não sabe disso. 


Várias dessas coisas já foram ditas aqui e aqui, porque são mesmo reflexões que tem me rondado. 


E assim, é notório que, de minha parte, abdico de grandes feitos. Não busco o reconhecimento público. Interessam-me os moleiros Menocchios, eu mesma um deles. Interessa-me a comunicação de formiguinha com vários pequenos personagens do planeta. 


Vivemos, como coletividade, um longo período de distanciamento, que foi levado às últimas consequências, com o esquecimento do leitmotiv das aglomerações humanas. Pessoas isolaram-se em suas casas em cidades coalhadas de vizinhos que se ignoravam. E se ignoram, ainda. Outro dia, assisti um filme, com roteiro e atuação de Bruna Lombardi e direção de Carlos Alberto Ricelli, O Signo da Cidade. É um retrato fiel daquilo em que se desvirtuaram as cidades, desse isolamento a que nos impusemos por razões pessoais e conduzidos por atos ideológicos que tornaram possível que estudantes, em seu período de maior força revolucionária, fossem guiados como gado, de antolhos, sem se verem, pelo período de um curso de graduação. 


De repente, reencontramos o caminho uns para os outros através de bytes e isso para mim tem a beleza da formação do primeiro burgo. E eu não vou negar essa linda experiência humana. 


Privacidade, perdeu-se sempre. E a perda é proporcional ao alcance do veículo. Tá com medo de ser localizado? Tira seu nome das páginas amarelas. 


Eu estou feliz em retornar à aurora da modernidade e ser, de novo, burguesa, com certeza. 



13 de abr. de 2011

Experimentando Tédios

São Paulo, fim de tarde. 

Saio para comprar comida e regalar a querida família que me acolhe. Ando com calma e no caminho do mercado como um pastel, o japonês que me serve continua olhando a rua, como se coisas excitantes e misteriosas se passassem ali, além do movimento frenético dos carros, que inclusive, dificultou meu sono pela manhã. Olho roupas numa vitrine, observo os pessoas que passam, absortas. No mercado, rapazes esvaziam caixas e enchem as prateleiras automaticamente. As ruas sem árvores, desarvoradas e desarvorantes.

Lembrei de meus dias na Itália, em Costigliole,  quando já com uma uma rotina, saía do Instituto e no caminho pra casa, nesse mesmo lusco-fusco, ia passando pelas mesmas caras, as mesmas pessoas lendo seus jornais nos mesmos cafés. No mercado, Beppe também esvaziava suas caixas exatamente daquele jeito, e certamente pensava em como seria excitante se ele, naquele momento estivesse no Rio!

No bosque, à caminho da Cascina, me lembro de pensar que o tédio na Itália é igualzinho ao tédio no Rio. Escrevi isso em algum lugar, aqui, penso. O de São Paulo também é. Vou viajar mais um pouquinho e lançar um livro animadíssimo que receberá o título desta postagem...

Pensando no assunto, o único lugar para onde viajei, e no qual não experimentei essa sensação foi Buenos Aires. Buenos Aires á a ausência do tédio, pra mim. Mas é só uma observação, porque eu não tenho nada contra o tédio não, ele é necessário para dar medidas. É aquele estado de espírito em que se responde sem culpa: sim, tá tudo bem, e você?

Bom, vou cozinhar que esse negócio de ficar divagando não dá camisa a ninguém não. 


7 de abr. de 2011

Algumas considerações desconexas sobre o dia...


* e agora? como é que a gente vai balançar a cabeça quando os EUA estiverem em evidência e dizer: tsc, país doente... ?

* uma coisa que me irrita sobremaneira e que já ouvi, sem brincadeira, umas 15 vezes hoje é o seguinte preâmbulo "a gente que tem filho sabe o que essas pessoas estão sentindo"... ah tá, o povo eleito, você diz? Fala sério... a estupidez que versa, numa hora de comoção acaba por me deixar irritada... mas normal, já que não tendo sido mãe, eu sou incapaz de me colocar no lugar do outro...

* de repente era uma o Japão se inscrever naquele programa que o Graciliano Ramos singelamente sugeriu para Alagoas: demole e faz um golfo... ah! e manda A Precious pra lá...

* Ou permitem acréscimos de 20 minutos ou proíbem times latino-americanos não verde-amarelos de jogar.

* Essa é pros meninos (mas as meninas também podem e devem usar) recomendo uma boa olhada, com MUITA calma e um bloquinho... pode ser bem útil... vai por mim...


: Atirei o pau no gato, mas o gato não morreu. Devo atirar um tijolo, na próxima vez? (via brega_falcão)


6 de abr. de 2011

www.amemosunsaosoutros.com

Então, vai daí que uma coisa puxa a outra e depois daquele papo de que talvez a redenção esteja nos encontros humanos, mais que nunca possíveis, via bytes, de repente caí de amores pelas possibilidades virtuais. Como qualquer nova paixão, a minha é um pouco exagerada, o caso é que a fleuma que me perdôe mas o encantamento é fundamental.

Enquanto vejo ligeiramente tensa o Fluminense jogando contra o Nacional do Uruguai, estou pelo MSN gozando e sendo gozada por um amigo que tem o mau gosto de ser rubronegro. Concomitantemente faço coro com os amigos torcedores contra os detratores de plantão que ficam provocando pelo Facebook e o e-mail de saudações tricolores já está preparado para assim que findar a partida. Sem falar que de cinco em cinco minutos pulam na tela os Tweets enviados pelo Perfil oficial do Flu, que passou a semana dando atualizações sobre a preparação do escrete.

Isso se chama troca. E ainda que eu estivesse sozinha em casa, só, não estaria.

O que me faz lembrar de um filme que vi três vezes no cinema - se você não viu, veja - Denise está chamando! Era uma profecia sobre a solidão humana, um olhar triste sobre pessoas irremediavelmente distanciadas pelas novas tecnologias, recolhidas em seus então incipientes recônditos virtuais, celulares... Fazia sentido. Era perfeitamente possível. Éramos eu e você. Amedrontava.

Mas nessa noite estou feliz aqui no futuro (de um passado cada vez mais pertinho) certa de que afinal não foi bem assim, aliás, muito pelo contrário.

Quem quiser, quem tiver olhos de ver, ouvidos de ouvir e mãos a estender, não estará isolado. Desinformado, acabrunhado.

Ao alcance de um clique, estão nossos semelhantes, a quem podemos amar como a nós mesmo com uma simples postagem!