São Paulo, fim de tarde.
Saio para comprar comida e regalar a querida família que me acolhe. Ando com calma e no caminho do mercado como um pastel, o japonês que me serve continua olhando a rua, como se coisas excitantes e misteriosas se passassem ali, além do movimento frenético dos carros, que inclusive, dificultou meu sono pela manhã. Olho roupas numa vitrine, observo os pessoas que passam, absortas. No mercado, rapazes esvaziam caixas e enchem as prateleiras automaticamente. As ruas sem árvores, desarvoradas e desarvorantes.
Lembrei de meus dias na Itália, em Costigliole, quando já com uma uma rotina, saía do Instituto e no caminho pra casa, nesse mesmo lusco-fusco, ia passando pelas mesmas caras, as mesmas pessoas lendo seus jornais nos mesmos cafés. No mercado, Beppe também esvaziava suas caixas exatamente daquele jeito, e certamente pensava em como seria excitante se ele, naquele momento estivesse no Rio!
No bosque, à caminho da Cascina, me lembro de pensar que o tédio na Itália é igualzinho ao tédio no Rio. Escrevi isso em algum lugar, aqui, penso. O de São Paulo também é. Vou viajar mais um pouquinho e lançar um livro animadíssimo que receberá o título desta postagem...
Pensando no assunto, o único lugar para onde viajei, e no qual não experimentei essa sensação foi Buenos Aires. Buenos Aires á a ausência do tédio, pra mim. Mas é só uma observação, porque eu não tenho nada contra o tédio não, ele é necessário para dar medidas. É aquele estado de espírito em que se responde sem culpa: sim, tá tudo bem, e você?
Bom, vou cozinhar que esse negócio de ficar divagando não dá camisa a ninguém não.
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