Puxa uma cadeira, e relaxe...

11 de nov. de 2010

Ich, Gregor Samsa

Você sai do Brasil rumo ao desconhecido, numa grande viagem eno-gastronômica que ainda por cima vai te dar status, e lá, quando você está passeando, bebendo todas e pegando todos, algum infeliz resolve ter o mau gosto de ficar doente.
No início você é solidário e pergunta sempre se este membro precisa de alguma coisa. Traz até comida e água para ele.
Depois, começa a se perguntar o que essa criatura faz aqui se não tem condições pra estar aqui.
Depois, começa a evitá-la. A doença do outro é coisa da qual sempre convém passar ao largo.
Até que um dia, não fosse a luz incômoda, sob a porta, você quase esquece que ali mora anjo que se chama, que se chama solidão
E uma hora dessas ao abrir a porta, Mirellla, a camareira, descobrirá que não existe no quarto, senão um inseto, grande, desforme, nojento, ao qual, felizmente, pode-se esmagar com um pisão.
E quem poderá culpa-los?