Puxa uma cadeira, e relaxe...

12 de nov. de 2010

Dia 32

Costigliole D'Asti, 09 de novembro de 2010
Martedi

Dia de Visita. Pela manhã, acordei tão dolorida e lerda que por muito pouquinho não perdi o ônibus, que veio nos buscar às 7 da manhã rumo a um posto de staggionata, que é como se chama o lugar certificado onde se deixam os queijos para serem curados. Legal. Mas não sei se é porque eu tinha tanta dor, não vi muito sentido. Queria ver o queijo ser feito, esses tantos tipos de queijos, e como se parecem em cada fase da staggionatura... o que senti foi um frio horrendo na câmera. Comprei um bom gorgonzola pra comer no quarto, mas podia ter passado sem essa.



Packet lunch no ônibus, e a visita da tarde foi em uma fazenda agrícola de arroz. A maior da Europa, 742 Ha, o que para um continente deste tamanho, é terra que não acaba mais, mas nós, brasileiros, é bolinho.
Esta Fazenda, chama-se Cascina Venería, fica na planície padana, ao norte aqui de Costigliole, e de lá se vê bem os Alpes e é esse o microclima propício ao plantio do arroz, pois a neve que dererte cria um sistema de capilariadade e transformoa aquele num terreno alagadiço, coisa de o arroz gosta.
Descobri que há muito mais do que o arbório, o carnarolli e o vialone nano que julgamos conhecer. Por exemplo, o arbório é uma denominação que já não existe, contudo como já é uma denominação conhecida no Brasil, eles vendem gato por lebre e nos mandam um grão cujo nome não guardei. Assim, dos grãos aí existentes, é bom se ater ao Carnarolli que dá mais certo, ou ao Vialone Nano quando o que se deseja um risoto especialmente cremoso, como deve ser o de frutos do mar, por exemplo.

Foi aqui que conheci também o riso balila, uma outra espécie pequeninha adequada para sopas e minestras e o Riso Baldo, que parece que é o bicho, mas cujo ponto se perde muito facilmente. Comprei logo 3 k para aquela degustação. E há ainda o Ganje Aromático que lembra o Basmati. Todos eles têm versão integral e comprei meio quilinho do carnarolli integral pra mandar pra Jan pra ela já ir brincando.
O problema de tudo isso é que anda até o arrozal, anda até a fábrica, anda até a loja, ouve o homem falar, vê a mulher manobrar, anda até não sei onde, minha coluna simplesmente pifou.
Fui para o ônibus esperar o fim da visita me sentindo miserável, velha e incapaz, e imaginando se eu tinha algum futuro em alguma coisa nessa vida já que me sentia tão incapaz para qualquer coisa e sequer conseguia ficar em pé.
Fiquei horas no ônibus chorando e me sentindo a última das criaturas.
Vim para a Cascina, deitei na cama e fiquei lá, muda, com medo do que ia acontecer comigo, e rezando
para que fosse o melhor.