Costigliole D'Asti, 12 de novembro de 2010
venerdi
Então, hoje é dia de visita técnica. Mas eu não fui. Porque finalmente marcaram a bendita acupuntura pra mim. Ao meio dia Elisa veio me buscar. Expliquei ao médico que entendia tudo mas não falava niente. Ele perguntou as coisas de praxe, pôs um tapetinho no chão e, como se tivesse saído de um quadro do Viva o Gordo! Disse, sem levantar os olhos da ficha de anamnese: Pode tirar a roupa.
Como assim?!?! No Ceará não tem disso não!
Fiquei pazza olhando o homem como quem diz: mas são só umas agulhinhas.... mas não teve jeito. Nem um aventalzinho, nem um biombinho. Nada!
E foi assim, meus amigos, que eu, a cebola, comecei a tirar aquele tanto de roupa que o homem quase desistiu. Mantive minha echarpe verde (digo, da Bet!) sobre os ombros para tentar manter alguma dignidade, mas confesso que foi inútil.
Fato é que fez-se a tal acupuntura. E eu ainda saí a tempo de pegar a visita da tarde.
A visita era numa vinícola chamada Marco e Vittorio Adriano (os dois primeiros são irmãos e Adriano é o sobrenome) Na região do Langhe, norte do Piemonte. Nesta visita tive ocasião de perceber que é preciso admitir que aquilo que aprendi na faculdade nas aulas de Enologia com a professora Jocelyn Sodré, se tornou um conhecimento bem sólido sem o qual eu não teria aproveitado a visita como creio que poucos ali aproveitaram. Para mim, foi como ver ilustrado um processo que eu já conhecia, o lugar de colheita e desengace das uvas, os barris de inox onde começa a fermentação e onde o vinho tinto adquire sua cor, as cascas tendo que ser revolvidas, os barris para fermentação malolática, até o processo de envase e rotulação.
Na hora da degustação nos foram servidos três vinhos. O primeiro foi um riesling. Agora vejam vocês, como aquela não é uma região onde a denominação riesling seja reconhecida, então o riesling não pode se chamar riesling, e sim Langhe. Bem louco, né? O nome deste Langhe específico era Basaricó, que em dialeto piemontês quer dizer Basilico, ou, manjericão, isto porque o vinho tem um aroma persistente de manjericão. É verdade, reconheço e dou fé. Tanto que comprei logo duas garrafas (a 5,50 euros cada) para um brinde que tinha esperança de vir a fazer no Brasil, por motivos que mais tarde eu saberia se resultariam positivos ou não.
Também degustamos dois vinhos tintos, barbarescos, um superiore, inclusive, mas achei muito adstringente (eu sempre acho isso, razão pela qual em princípio desconfio dos vinhos tintos e das bananas da Europa). E olha que o Barbaresco é a uva forte da região. Gostei muito mais do riesling disfarçado de Langhe com manjericão.
Na volta, descobri que a compra dos Basaricós não tinha sido em vão, porque finalmente consegui falar com Mauro e soube que a conjunção de talento, mérito, esforço e reza forte tinha dado certo e ele conseguiu a função de que precisávamos tanto. Portanto, voltei a ter um marido gerente, agora em Rio Bonito. Devia ter comprado mais vinho...
A dor permanece e, na volta para a Cascina recolhi-me ao meu quarto. Mas descobri que tenho vocação ZERO pra Gregor Samsa, porque fiquei umas duas horas tentando ficar quieta mas era uma bateção na janela e na porta, e às 22 h eu já tinha que escolher entre três convites para o fim de semana. Meu primeiro impulso era ficar por aqui tentando proteger minha coluna, mas só que eu vinha me ressentindo do meu isolamento, e também não viajava desde o primeiro fim-de-semana, quando fomos pra Cinqueterre e Gênova, e então decidi que a melhor opção era alugar um carro com Caio e Amanda e sair pelo mundo sem avisar ao Chico Buarque só pra ele ficar se perguntando " o que é que a vida vai fazer de mim?".
Çeram, a turca fofa veio me fazer uma outra massagem, e finalmente consegui dormir.