Puxa uma cadeira, e relaxe...

23 de dez. de 2010

DIA 75 - Ai uíxi iu a mérri crismas!

Govone, 24 de dezembro de 2010
Giovedi

Eu sei, dessa vez exagerei na ausência!

É que eu precisei me adaptar ao ritmo do estágio, coisa que na verdade ainda não aconteceu. 

Além disso fiquei muito desanimada com a expressiva depreciação de meu já combalido quadro de leitores. Sim, uma semana após o início do estágio desembarcou aqui tia Zuleica. De mala, cuia, e uma amiga à tiracolo. E vejam vocês que a amiga também era uma minha leitora!

Não obstante eu não ter escrito, este blog esteve sempre presente no meu cotidiano, pois além das auto-cobranças para me dedicar a ele, notei que meu pensamento está meio formatado, porque muitas vezes ao dia penso que esta ou aquela situação são dignas de nota, e eu penso como se estivesse escrevendo aquele assunto. Aí eu digo: preciso pôr isso no blog! Só que quando finalmente paro para escrever, nada de criativo e brilhante me ocorre, senão contar de meu fastidioso cotidiano. E aí digo: preciso de um caderninho! Providenciei um. E quando vem a próxima idéia, digo: ah! essa não preciso anotar, claro que vou lembrar! E quando vou escrever, claro que não lembro.

Fato é que muito há para contar. Tenho já muita coisa escrita, mas, vamos por partes! Essa postagem tem a finalidade principal de dizer que estou viva e com saúde, embora não esteja sentido bem as extremidades... a temperatura tem sido de 7 graus negativos...

E queria também aparecer antes do natal!

Sim, porque ontem fui informada de que já era dia 23 de dezembro. Pasmei! Nem notei que era natal! Nunca me aconteceu isso na vida. 

Os filmes, os livros, as propagandas, nos fazem associar natal à neve.  Como se lá, naquelas terras longínquas onde há neve é que residisse o tal do espírito natalino. Lá naquelas terras é que é natal... lá que tem o papa, lá que faz sentido a Missa do Galo, lá que tem chaminé para o Papai Noel descer.

Bom, cá estou, numa cidade medieval. Quando olho pela janela, parece que estou em um cartão de natal, várias casinhas amontoadas com seus telhados nevados e chaminés por onde saem suaves ondas de fumaça. E eu nem me dei conta de que é natal, salvo por um delicado enfeite de madeira que fiz questão de comprar e pendurar na minha cama. 

Precisei vir pra cá, pra neve, pra terra longínqua onde prometeram que o verdadeiro natal estaria, para notar que natal deveria ser quente como o dezembro carioca. Natal é aquela movimentação alegre e nervosa da rua do Catete. Natal são até os engarrafamentos humanos no Rio Sul. Natal são os 
supermercados cheios. É o bolinho de bacalhau da minha mãe. É embrulhar os presentes cuidadosamente, ver esses presentes serem abertos. Planejar a ceia. Escolher a mensagem que leremos juntos na noite do 24. Natal é comer peru ressecado no 25. 

Que neve, que nada! Não me conformo com as pessoas andando civilizada e calmamente pelas ruas, sem sequer se esbarrar. Não é possível que todas elas tenham se lembrado de comprar fios-de-ovos! Não é possível que nenhuma delas precise correr para comprar o último pão de rabanada da cidade! Então eles não sabem que natal requer esbarrões na rua a fim de cumprir essas finalidades tão nobres?? Onde estão aquelas  luzinhas horrorosas e desencontradas poluindo a cidade? Onde está aquela confusão para planejar que refeição fazer com que família? E para encaixar filhos, amigos, netos, vizinhos, sogras, cunhados, todo mundo, nisso que é o natal? Não é possível passar pela véspera do Natal com a fleuma dessa gente! Minha vontade é sacudir todo mundo e gritar que é natal! Lá de onde eu venho, dezembro tem uma coisa no ar. Não se vê restaurantes vazios. Há fila para toda e qualquer coisa. Não se marca NADA para o mês de dezembro, porque está todo mundo muito atarefado com o natal! o mês é oficialmente reservado para os preparativos e comemorações pertinentes à data.  E além de tudo, tem aquela sensação de que está acabando o ano e que ele só recomeçará em março!

Aliás, quanto a isso, veja bem, dá na mesma. Só que a gente paga à vista esse recesso, é um recesso assumido! Eles pagam em prestações, as tais horas vagas da siesta, no pomeriggio, além das segundas feiras em que nada abre. Se a gente for somar, o tempo de recesso deles é bem maior que o nosso!

Enfim, nada aqui me faz perceber nem de longe, que hoje minha gente, é natal!!!

No fundo é melhor que seja assim, porque se aqui fosse como no Brasil, eu ia me sentir ainda mais deslocada e talvez até um pouco deprimida.  Do jeito que a coisa caminha, só vai ficar a sensação estranha de que me roubaram um natal...

Mas enfim, é natal! E como se diz aqui: Auguri!!!