Puxa uma cadeira, e relaxe...

9 de dez. de 2010

DIA 56

Costigliole D'Asti, 4 de dezembro de 2010
Sabato

E hoje é dia de inflitração!!!
Antes de ir para Alba, me despeço de Joana que segue hoje para Paris, antes de voltar para o estágio. É triste, mas sei que nos veremos logo.
Parto feliz, mas apressada, nessa manhã fria após madrugada de neve para Alba, onde me esperava o dottore Curto com seu bigodinho e seu indefectível tom de pele cor de abóbora muito harmônico com o acaju do cabelo. Grande figura, o dottore Curto. Ele acha que além de gringa, sou surda e fala tudo gesticulando muito e muito alto e pausadamente. Vai dar muito trabalho explicar que ele pode falar normalmente, então fico olhando com uma cara de quem está se esforçando muito. Pra ele não ficar decepcionado.
Hoje tudo é bem rápido, pois já conheço a rotina, em 20 minutos, acabou o procedimento, que dessa vez foi um pouquinho mais dolorido. Segui para o centro de Alba, a fim de olhar as modas à caminho da estação, sacar dinheiro e tomar um chocolate quente, pois não deu tempo de tomar café, e quando salto do táxi, quase congelo. Mesmo. De novo. Uma semana depois, e de novo estou no mesmo lugar, congelada.  É impressionante como Alba é fria. De novo não tenho mais como e nem pra onde voltar. Preciso seguir em frente e ir até o final da longa e estreita rua apinhada de gente, lojas e tendas com os mais diversos abigliamentos. O vento vai arrancar o meu nariz, eu juro que vai. De novo.
Adoto novamente o procedimento de ir entrando em loja por loja para tirar uma casquinha do aquecedor . Cada vez que eu saio, o frio é pior.  Não consigo pensar. Vejo então no termômetro verdugo que faz menos um grau. Fui informada que no auge do inverno a temperatura comum é de menos quinze. Preciso tomar uma providência, senão vou ter uma hipotermia na Itália! Meu nariz começa a sangrar, minha boca, já rachada, recebe um corte e sangra. Então saco meu cartão do bolso e vou resolver o caso.
Adiquiro então um casaco de lã, mas que não é essa lã em linha, ele é muito pesado, preto, e, o que é melhor, tem uma gola que vai até a metade do rosto, se eu quiser usar assim. Compro também uma malha de cashmere que ponho por baixo do casaco. E tudo parece muito melhor, mas ainda muito gelado. De modo que sigo andando, doida pra chegar na estação, quando numa vitrine me sorri uma caixa com um livro e 15 cds de Maria Callas, por 35 euros. Não pude resistir. Mas depois disso abaixo a cabeça, sigo pra estação e venho embora!
Já em Costigliole, uma passadinha no mercado para adquirir víveres que garantam meu conforto no fim de semana como... água, pão, chocolatte e prosciutto!
Chego então à Cascina, que parece meio abandonada e silenciosa como nunca vi.
E vou dormir. Acordo quase nove da noite, com fome, vou até a Maddalena comer e ver como Marco está se saindo nesse primeiro dia de seu estágio por lá, e vejo que ele está adorando, sendo muito bem tratado e aprendendo muita coisa que vai ser muito útil para os projetos que tem. Espero o fim do expediente dele, à meia noite e voltamos conversando para a Cascina.
E durmo, com aquela sensação de fim de história, na expectativa dos novos começos.