lunedi
A neve é muito legal. Mas no dia seguinte, parece que teve festa no apartamento da gente na noite passada. Ainda bem que não tenho que lavar as taças.
O mundo ficou encardido. Amanheceu um dia limpo, de sol, muito frio, mas jogaram sal no asfalto e ao longo da rua tudo era cinza. As coisas encobertas pela neve começavam a aparecer. A escadaria virou um escorrega. Caos na intrépida Costigliole!
Demorei horrores pra chegar na escola, com medo de cair, andando pé ante pé. Lá, soube que fiz muito bem, quatro chegaram molhados após seus tombos. Mas se eu caísse, não ia ser nada engraçado. Especialmente porque não estou mais com zero dor. Embora a dor seja bem tolerável. Mas o médico avisou que não ia ser cura total, após a primeira.
Bem, é a última semana de aula! Vejamos o que nos aguarda...
Aula prática de molhos, pela manhã. Com o Chef Simone, que é ótimo. Foram três pratos, o tema era molho. Adorei tudo, acho que pela primeira vez. Os molhos foram: matricciana, ragu di carne bianca (coelho, galinha d´angola, que aqui se chama faraona, e peru) e ragu di agnello.
Estômagos mais fracos, como o de meu amigo Paulo César, devem pular os próximos parágrafos. Avisei.
À tarde, o tema era cortes de porco e salames. E, para esta aula, veio um salumaio de Montferrato. Um senhor muito legal, cujo sobrenome eu não sei, mas que se chamava Giane. Ele me lembrou muito meu tio Orlando, rústico, com os anos de trabalho impressos na cara... já está aposentado, mas não perdeu o talhe. Foi tirando da bolsa mortadela, salame cru, salame cozido, presunto cru, speck, e outras coisas, dentre as quais, nada menos que um leitão inteiro, semi-evicerado.
Entre muitos causos, explicou os modos de fazer aqueles salames... reclamou das modernidades como usar alguma coisa que não seja película de víceras para embutí-los, falou dos embutidos que não estavam ali, mostrou de que parte saíam, como o zampone e o culachaio, que é o culatello feito fora de Zibello... e foi assim que eu descobri as mil e uma utilidades do guanciale, a bochecha do porco e o resto da cabeça também... e ia desossando o porquinho... uma beleza... foi aí que descobri que não dá pra obter lombo, costela e carré de um só animal. Sim, eu sei que é óbvio, mas eu não sabia, só vendo a desossa é que entendi! Só sobrou a espinha vertebral... tive vontade de levar para o dottore pra ver se ele implanta em mim... tão perfeitinha, sem uso... Adorei meu amigo salumaio...
Depois, prova de enologia... tranquilo...
Engraçado... o céu está limpíssimo. Mas vejo no máximo uma ou duas estrelas. Todo o dia me esqueço de comentar isso aqui no blog, mas é uma coisa impressionante... eu sempre quis saber como, afinal, era o céu no hemisfério norte... quais eram as constelações... mas nunca vejo mais que duas estrelas. Não vou embora no Brasil enquanto não vir a tal da Ursa Maior. E tudo o mais que devia estar no céu e fazê-lo tão diferente do céu da minha casa. Outra coisa. Diz que aqui a água da pia fazia um redemoinho pro outro lado. Cadê? Fico horas enchendo a pia e esvaziando e não noto nada diferente. Acho que é porque eu não me lembro pra que lado a água da pia desce, lá na terrinha. E não vem me dizer que é o tal do campo magnético que isso é crendice.
Aniversário do Tio Zebão!