Puxa uma cadeira, e relaxe...

11 de dez. de 2010

DIA 57

Costigliole D'Asti, 5 de dezembro de 2010
Domenica

Então era tudo mentira. Que nem o campo magnético. Acordei para ir ao banheiro e fui dar uma olhada na noite. Céu limpo... estrelas... que lindo... a via láctea... as três marias... OPS! pera... as três marias? Desci. E lá estava, clara como uma noite fria, a constelação de Orion inteirinha. E aquelas duas que ficam perto e aquela outra que parece uma setinha engruvinhada. E a Ursa Maior polar?? E as outras estrelas que eu ia ver??? Será que tudo isso é um grande Show de Truman e eu fui mandada para algum lugar perto da Nicarágua e tudo isso que me acontece não passa de pegadinha de um programa imbecil, tipo João Kleber??? Eu quero JÁ um céu diferente pra eu olhar!

Ursa Maior: Procura-se esta constelação.


Subi correndo. Enchi a pia de água e fiquei olhando a água descer... e ela desceu igualzinho a como desce na minha casa! Como é que pode minha gente? A vida inteira esperando pra ver o redemoinho anti-horário na pia. É isso, eu tô na Nicarágua. Eu não sei se vou aguentar tamanha desilusão. Vou deitar desolada, e quando finalmente durmo, sonho com supernovas e com o Marcelo Gleiser e ele ri, um riso de hiena escarnecendo de mim.

Acordo meio tonta, sem saber onde estou, com as costas doídas de tanto ficar deitada. E são três da tarde.

Recuso-me a sair para esse céu enganador. E por isso faço greve. O céu hoje não vai me ver. Vou ficar no meu quarto. Vou fazer minha unha. Fazer minha sobrancelha. Arrumar minha mala. Cuidar da minha vida.

A gente sabe que as coisas vão mal quando não pode confiar mais nem nas leis da física.

Ah... parabéns, Corintinho!