Costigliole D'Asti, 6 de dezembro de 2010
Lunedi
Acordo no silêncio de uma Cascina Salério quase desabitada. Estamos aqui somente eu, Renata (que chegou ontem à noite), Thaís e Gilli, os remanescentes. Todo mundo está tristíssimo por ter que ir, por se separar, pelo silêncio. Mensagens de pesar pululam no Facebook.
Por alguma razão, estou tranquila. Fiz alguns amigos aqui e sei que estes eu vou levar pra sempre. E quanto aos outros, a quem não me sinto tão vinculada, sei que vou ficar feliz sempre que nos encontrarmos de novo. Justo eu, que fico péssima em despedidas, estou bem calma em relação a estas.
Estou ansiosa pela próxima fase, a nova comune, o restaurante, o meu trabalho, as coisas que vou aprender, as pessoas que vou conhecer, tudo o que vou ver.
E além do mais, felizmente, tenho tanta coisa para arrumar, que não consigo pensar muito em coisas que poderiam me fragilizar. Fora as coisas estranhas que vem acontecendo comigo.
Somente Miss Marple poderá me ajudar. Depois do estranho caso da constelação desaparecida, estou sendo assombrada pelo estranho fenômeno das tralhas crescentes, ou, da mala decrescente.
Senão, vejamos.
Eu vim para a Europa portando duas malas, cada uma com 24 k e uma bolsa de mão.
Comprei uma terceira mala, a fim de utilizar uma das que trouxe para expedir para o Brasil algumas coisas como objetos e roupas absurdas que eu não sei porque trouxe, pois jamais poderia usar aqui (como o meu vestidinho de voil de algodão, verde de alcinha!), vinho, e coisas que comprei para a degustação que vou fazer quando voltar. Esta mala já está arrumada.
Aí, tudo o que eu tenho, em tese, deveria caber na outra mala que trouxe e na que comprei. Mas aí é que entra a Miss Marple, pois até este momento tenho, além da mala abarrotada que vai para o Brasil, duas outras, igualmente abarrotadas, uma bolsa só de sapatos e mais duas cheias de coisa, fora a minha mochila com computador e afins e minha bolsa.
Eu não sei. Se estivesse calor, eu diria que tudo se dilatou. Será que foi o aquecedor do quarto?
O pior é a vergonha que vou sentir amanhã quando o Chef Andrea vier me buscar (e ele com certeza terá um desses carrinhos mínimos que eles adoram, aqui) e vir a mim, minhas malas, bolsas, mochila, e Renata, a tiracolo.
Decido deixar pra fazer isso amanhã. Vou dormir com o aquecedor desligado, quem sabe as coisas desincham...
Miriam, minha super cunhada! Alguri procê nesse aniversário!